quarta-feira, 27 de dezembro de 2000

Nasce a cultura da internet

A internet completou cinco anos de existência ampla como o mais eficaz e revolucionário instrumento de informação do homem moderno. Assim como no passado se acreditou que a televisão iria acabar com o rádio e o cinema de uma só vez, agora se imagina que a internet possa vir a ser o fim da cultura em papel. Parece que não será. No ano em que Stephen King, um fabuloso vendedor de livros à moda antiga, fracassou na internet, as aventuras de Harry Potter, em papel, foram o fenômeno literário. Mesmo a distribuição de música gratuita pela rede, via Napster, começou e terminou no mesmo ano que passou. Vai ficando claro que o encantado mundo da cultura virtual não substitui nem pode existir sem o mundo das coisas reais.


E QUEM PAGA A CONTA?

A idéia do rapaz era genial: dar música de graça a quem quisesse ouvir. Para isso ele desenvolveu e colocou na internet um programa que permitia aos usuários da rede copiar as músicas de outros usuários. Foi assim que o americano Shawn Fanning, um estudante de 19 anos, criou o Napster e um dos maiores casos jurídicos da nova economia. Colocou também em xeque a poderosa indústria fonográfica mundial e seu faturamento de 40 bilhões de dólares anuais. A maior dificuldade para o casamento da criação artística com a internet tem sido, como na maioria das relações entre seres humanos, o dinheiro. No caso dos livros, os livreiros já estão preocupados com a iniciativa de autores que querem, eles próprios, comercializar suas obras na rede. No caso da música, uma verdadeira guerra foi declarada entre as grandes gravadoras, os artistas e os sites que distribuem música de graça pela internet, como o Napster.com e o MP3.com. Enquanto o MP3.com fazia um acordo e começava a pagar 30 milhões de dólares às gravadoras para continuar disponibilizando suas músicas, o Napster só permanecia no ar graças a uma liminar concedida pela Justiça americana. Acabou capitulando. No início de novembro, a empresa de Fanning entrou em acordo com a gigante do entretenimento e comunicação alemã BMG. Muita gente aposta que vão surgir outras maneiras de ouvir música de graça pela rede.
fonte revista veja online
edição 1 681 . 27 de dezembro de 2000